Make Believe
Contra tudo e todos, lá fui eu de novo tomar uma decisão que muda completamente não só a minha, mas a vida de muita gente que me rodeia. Gente essa que eu gosto muito, que eu respeito, que eu aprendi a gostar, que carrego comigo.
Não digo que foi decisão fácil, de jeito nenhum eu diria isso, mas eu tenho no meu coração a certeza de que foi a melhor decisão pra mim.
Confiança, segurança, são coisas que eu preciso prezar muito mais a partir de agora.
O abandono não pode chegar numa situação difícil, seja qual situação difícil estiver na outra ponta. Eu preciso de braços, muitos braços, pra mergulhar em mim e conseguir remontar toda a pessoa que eu sou, fui, e quero ser.
Quero me pintar novamente, de todas as cores que eu gosto.
Quero deixar o sol entrar, e que ele me esquente nessa frieza que a verdade me trouxe, e jogou na minha cara, sem nenhuma pena ou pudor.
A verdade. Ela que sempre devia ser dita, foi a peça que o meu xadrez lançou às cegas quando eu menos esperava, como que numa tentativa de não me deixar cair novamente no ciclo.
Uns dizem que certas coisas são normais, que acontecem, e usam o adjetivo “bon vivant” pra justificar faltas gravíssimas.
Não.
Não mesmo.
Bon vivant é aquele que dorme e acorda com o respeito sempre no horizonte, com a esperança e o apoio nos bolsos pra sacar em qualquer momento que for necessário, sem “e se’s”, sem “mas é que’s”, sem medo, porque viver bem é viver livre.
Viver bem é viver feliz.
Viver bem é dar valor. E como eu digo, “valor” não se define com o que se diz, mas com o que se faz, e como se faz.
Quando eu perdi meu valor na semana passada (porque assim me sinto ainda, hoje), abri meus olhos para a fraqueza alheia em buscar no profano uma saída para o real. E ali eu entendi que todos nós somos podres de coração, egoístas no sorriso que a dor alheia causa, e o quão maus somos conosco e com os outros… e o quanto ninguém faz diferença, ninguém influencia, ninguém mente aquilo que somos realmente, daquilo que somos feitos.
Somos todos feios.
Somos todos gigantes pisando em vidas, esmagando com as mãos enormes os sonhos de todos, os arrependimentos, as tentativas, aquilo a que nos agarramos.
Nunca eu diria errado. Nunca eu insistiria em justificar o injustificável, porque ele se esconde em dobras infinitas num papel branco nunca escrito.
Todo o meu valor derramado pela secura que amarga minha boca será refeito de mim mesma, e de amor. AMOR.
E não, eu não desisti dele. Não se desiste do amor, porque ele mora aqui, e aqui eu vou deixar que fique. Mas eu desisti SIM do amor que me destrói, ou destruiu, e dali é de onde eu vou tirar a essência e o pó da tinta que, misturada com minhas lágrimas bobas de arrependimento infantil, vão pintar meu futuro.
Cada pedaço meu que soltou de mim será reposto.
Cada sorriso que eu deixei fugir, será respeitado.
Cada beijo meu que morreu durante esses dias será amado, e jamais eu vou desistir da busca, porque eu sei que as estrelas ainda estão lá, e sempre estarão.
a new start
E quando menos esperava, do dia se fez a noite e a chuva veio forte, negra, pesada, fez cinza o azul do céu… e lentas se vão as nuvens, umas e outras, intensas, como cimento que sela um enorme buraco dentro da minha alma.