Dona La-Hilda (que eu costumo chamar de mãe) nunca foi muito prendada na cozinha, mas uma das coisas que ela faz bem é o seu “milanese“. Outras coisas como bolinho de arroz também, mas isso é outra história… Hoje o foco é ENFARINHAR carnes pra deixá-las gostosas.
Coisas que você vai precisar?
Carne de sua preferência (lá em casa um peito de frango “dá” pra todos, rende bastante)
2 ou 3 ovos (óbviamente vai da quantidade de carnes que tu vais empanar)
Tempero Arisco (ou equivalente)
Farinha de rosca. Veja bem: ROSCA. Nada de outra farinha, cara pálida.
Sal
Orégano
Óleo
Tempera os bifes com o Arisco (ou só sal e pimenta, ou com alho, tu que sabe!) e reserva.
Numa tigela (odeio essa palavra), misture os dois ovos, com clara & gema, adiciona uma colherinha de orégano e umas duas pitadas de sal.
Vai esquentando o óleo, porque ele precisa estar BEM quente pra não embebedar a carne em gordura.

Agora vem o complicado:
Passa os bifes na mistura de ovos
Passa os bifes na farinha de rosca
Frita, SUPER-escorre e bah, morre comendo que é de repetir umas 5 vezes! :)
O tempo vai passando e aí a gente nem se liga mais no que tá fazendo, de tão acostumado que se está com o que se “aceita” acontecer. E lá se vai um dia, dois, meses, anos, e lá no fim das contas tu nem sabe mais a razão de ter feito assim. “Porque eu fiz assim a vida inteira“.
E eu fiz a vida inteira de pensar antes de fazer.
Pensar antes de falar não é bem um método que eu diria “meu”, mas tomar decisões é algo que me chama pro canto numa conversa mais racional.
Nem sempre, claro.
Não hoje, eu diria.
O resumo da ópera é que pelas poucas vezes que eu fechei os olhos por um segundo e ao invés do prudente “não”, joguei pro ar um “sim” cheio de coragem (e cagaço), não tenho nenhum receio ou medo.
Nenhuma certeza também, mas e quem é que tem certeza de alguma coisa?!
Pessoas fingem bem.
E eu desisti de fingir.
Abre a gaita, gaitero!
Eu não costumo falar muito sobre meus pensamentos mais pessoais e menos inspiradores… Porque as pessoas são críticas só pra serem divertidas, desconhecem o assunto mas mesmo assim dão opiniões, fúteis, ordinárias, cretinas. E é difícil encontrar quem realmente pare pra pensar, se é que já não pensou, fora da sua própria cabeça.
Mas indo de encontro à tudo isso e todas essas verdades que eu mesma construí ao longo do tempo, resolvi me expor, porque eu tenho quase certeza absoluta de que isso um dia ainda vai ajudar alguém.
E tomara, sério, tomara que seja tu. Eu queria muito que fosse.
Eu fui uma criança daquelas pestes, subi em árvore, tomei banho de lagoa, andei a cavalo, fui mordida por cachorro, mordi cachorro (sério), mas nunca quebrei um braço, nem um dedo. Nada. Ao menos, não meus.
Fui crescendo e decidi jogar futebol, joguei no Grêmio, no Inter (eu sei tudo isso que tu pensou agora, mas valia a pena), e meu gosto por jogo de taco na infância virou numa paixão por disputar. Escolhi o futebol, comprei minhas chuteiras, treinei, treinei, treinei, e virei depois de anos uma jogadora que muito me orgulha, fiz golaços e driblei melhor que muito marmanjo.
Essa era minha paixão.
Depois de um tempo, comecei a trabalhar, aquela coisa toda, o tempo passa, e me interessei por o que não me interessava muito: usar saia, pintar as unhas, namorar, mas nunca deixei de disputar uma partida sempre que dava.
Anos depois, em 2003, eu fui atropelada por uma moto, na frente da minha casa, ali na avenida Nonoai em Porto Alegre.
Morri por alguns minutos, tive que amputar a perna esquerda acima do joelho, a direita passou por 8 cirurgias para que pudesse ser recuperada.
Eu tomei tanta medicação durante esse tempo que eu lembro de poucos acontecimentos. Amigos me contam que foram me visitar no hospital, e que eu estava alegre, mas eu não lembro disso. Não sei se por conta da tonelada de morfina, ou pela memória que se apagou (depois do acontecido minha memória piorou consideravelmente), ou se pelo bloqueio do choque, o fato é que a minha memória mais vívida, trincada na minha retina, é a do teto do meu quarto.
Por esse motivo, eu considero que o tempo em que tive pra pensar em todas as coisas desse mundo foi suficiente pra me tornar o que eu sou hoje.
Num minuto, hiperativa, trabalhadora, cheia de amigos, namorado, festas.
No outro, imóvel, sozinha, diferente, dor, e desculpe a palavra estupidamente verdadeira: mutilada.
Por dentro, e por fora.
Essa era a minha realidade.
Aos poucos as coisas foram mudando, foram acontecendo coisas novas, e hoje eu olho pra trás com um sentimento bobo de “eu fiz”. E é aí que eu quero que tu pare comigo pra pensar.
Se eu decidisse (o que na verdade é a maior vontade que se tem) ficar sentada no meu sofá, recebendo auxílio do INSS, esperando a piedade eterna das pessoas e aceitando que jamais seria mulher novamente, eu teria morrido.
Vou te dizer: não é fácil. Mesmo. De verdade. É FODA, eu diria.
Mas se tu não levantar daí e valorizar tudo o que tu tem e tudo aquilo que tu pode ter, mesmo que tu não saiba o que é, nada vai acontecer.
Me orgulho de ter aguentado as noites de dor, de ter enfrentado os pesadelos noites e noites a fio, de ter segurado o choro quando o meu quarto parecia me espremer entre as paredes, de ter parecido forte pra não magoar aqueles me rodeavam, porque se eu deixasse a peteca cair… todos caíam junto.
Conselho amigo: aproveite TUDO que te rodeia. Quem te ama, quem faz diferença, as tuas coisas, e principalmente: as tuas ideias.
Lembro que uma vez, quando ainda estava em recuperação, caminhava na barra, acompanhada da minha fisioterapeuta, com uma dificuldade enorme de ficar de pé mais que vinte segundos… E eu pensei “um dia eu ainda vou fazer muito mais que isso”.
E eu fiz.
Esse era meu combustível.
Empunhei coragem, cara-dura, atitude, tudo o que eu achava que tinha perdido. Vaidade, narcisismo, esperança. Tudo. E fui à luta.
Nessa caminhada até aqui eu tive muitas pernas caminhando comigo, muitos braços me apoiando, e muitos corações torcendo por mim, mas eu finalmente posso dizer que eu fiz a diferença.
Eu saio, eu bebo, eu danço, eu falo, eu rio, eu canto, eu desafino, eu não me importo, eu me importo demais, eu ajudo, eu atrapalho, eu pago, eu compro, eu devo, EU VIVO.
A velha história de fazer do limão a capirinha, sabe?
Saber que um sonho virou um projeto, e dali eu consegui mobilizar pessoas, e aumentar em 250% a contratação de pessoas com deficiência em dois anos na minha empresa… sabe?! Eu realmente fico abestalhada… saber que eu posso conscientizar, reclamar, mudar e ser mudada, isso é tão mágico. E é real.
Uma coisa é certa: nada disso se faz sozinho. Eu contei com pessoas, que contaram comigo, e daí surgiram mais e mais amizades muito além daquelas que eu tinha antes, lá no início, e aí a mobilização virou realidade.
Mas cair, levantar, e rir de tudo o que na verdade poderia ter sido triste é parte importante demais na recuperação.
Faça isso. Tente. Levante. FAÇA.
Pra mim não existe: “não sei se consigo”. E eu tenho tanta coisa ainda pra fazer!
E isso faz de mim o que eu sou hoje.

Trabalhar de casa na maioria das vezes é a melhor coisa do mundo. O silêncio e a falta de alguém pra atrapalhar quando tu tá concentrado fazem tu conseguir fazer o que tem que fazer. Fora que tu poder decidir se quer morrer de frio ou de calor, poder ficar descalço aumenta a felicidade consideravelmente, ainda mais podendo falar palavrões bem alto sozinho. E simplesmente o fato de poder falar sozinho já é relativamente uma auto-ajuda, a linha de raciocínio ditada pela voz parece que chega mais fácil.
E claro, com o Igor na escola, porque senão é praticamente impossível ter um raciocínio qualquer que seja, que não “Desce daí AGORA!” ou “Não põe o dedo aí que vai te dar um choque!”, coisas desse tipo.
Não tem muita coisa que se possa fazer com uma criança super ativa a não ser colar o olho (ou o canto de olho, já serve) e acompanhar as idéias de cabeça de mamão, que inventa de subir no armário pra pegar coisas altas, jogar bola perto da árvore de Natal, abrir a porta pro cachorro-monstro-Dylan entrar com as patas enlameadas e acabar com o carpete.
Mas ir na tua cozinha e fazer um chimarrão, ou esquentar uma água pra um chá, ter tudo que se precisa na volta, e no meu caso, poder ficar sem prótese… Bah. Não tem preço.
Claro que num ambiente corporativo, além de gripe e alergias, a gente desenvolve o caráter social, pode virar pro lado e perguntar pro colega algo que não entendeu, ter uma rede mais rápida e uma máquina de café. Mas nada que ir de pantufa até a cozinha e passar o próprio café não resolva de maneira mais interessante.
Eu ando cansada de caminhar e vir e ir, por isso volta e meia penso em como seria legal poder ter essa opção.
Também sei que é só eu querer, mas eu tenho tanta gente tri aqui na volta que me faz rir muito mais do que a Angélica apresentando o Video Show… penso e só penso, por enquanto :)
Sério, eu adoro Natal, até porque lá na casa do vô, em Dom Pedrito, todo mundo se junta naquele gritedo característico da família Bruzza, na volta da árvore, uns querem ver o show do Roberto, outros querem o rímel emprestado, e outros só tão pela hora da ceia, mas né…
Fruta cristalizada em TUDO, precisa?
Gente, arroz é pra ser ARROZ, quem inventou esse arroz à grega devia ter mantido na Grécia essa porcaria.
Daí no Panetone, toma, frutas cristalizadas.
Daí na salada, toma, frutas cristalizadas.
Peru? Além do abacaxi (de onde tiraram isso!?), toma, frutas cristalizadas.
Gente, sério, assim não tem como.
Mesmo que tenha mais coisa pra comer, como salgadinhos de origem duvidosa e toneladas de canudinhos (que sinceramente, são meus preferidos), tudo tem fruta cristalizada. Isso TEM que ter fim.
Aqui, meu manifesto por um Natal com menos frutas cristalizadas.
Att, Drika-




