Eu me apavoro com os problemas do mundo. A fome, o calor, as pessoas dementes, o que se faz pelo mal. Penso nisso sempre, e uma das coisas que me indigna mais é a incapacidade do discernimento humano frente à Internet.
“Clique aqui e ganhe um iPad”. Pára. PÁRA.
E receber e-mails, reencaminhar, porque se ligar pra sei lá o que, ou chegar em sei lá quantas mil pessoas, eles não vão cortar a única árvore que sobrou no deserto do Saara. Pára. Com. Isso.
Ou quem sabe então uns três mil compartilhamentos pra que o fulaninho receba dinheiro do Facebook (?) e tenha seu câncer curado. Facebook, agora, além de manter as pessoas insanas e insonsas (e insones, muitas vezes), cura câncer. E verruga. E pé-de-atleta. Pára, gente. Pára.
Eu vejo a minha mãe no computador, e me dá um acesso de pavor: ela tem MEDO de estragar selecionando um texto, mas ela não tem nenhum medo de clicar em tudo que pisca na volta. “É vírus, mãe.” “Mas eu não inseri dado nenhum que pedia!” “Mas clicou.” “Não cliquei, não!” “Então como é que tu sabe que tinha que inserir dados?”…
E eu fico imaginando quantas mães minhas não existe espalhadas por aí, e me questiono: quando a geração que sabe o que está fazendo com seu mouse chegar no topo, será que ainda vão existir esses spys, advertisements, phishings? Será que a gente vai conseguir usar a Internet de verdade, sem frescura?
Depois que eu fiquei sabendo que o Facebook vale mais que o mercado do café no mundo (veja bem, CAFÉ), me caiu os butiá do bolso, e eu fiquei pensando no meu filho e toda a “limpeza” que ele e a sua geração vai ter que fazer.
Na água, na natureza, no desperdício de lixo, na incompetência dos governantes, na indiferença com os professores e o ensino, a saúde, e agora, a Internet. O maior lixão que existe, mas que ninguém reclama. Não fede, não faz volume, mais poderoso que o crack. Vicia.
Ontem caiu sei lá o quê da fibra ótica e a GVT, a TIM e a Vivo ficaram horas e horas sem serviços. Geral pirou. 2012! Começou!
Gente. Sério. Pára.
Eu trabalho o dia todo ajudando a alimentar o e-Commerce, recebo minha grana pra cada vez mais entupir os canos da rede, e mesmo assim consigo refletir sobre as consequências que tudo isso vai trazer amanhã.
E tu? Que tipo de conteúdo, que tipo de informação tu estás compartilhando? Que tipo de pessoa atrás do código? Atrás do teclado?
Pára. E eu prometo que um dia eu paro também.
seu filho, amanhã, e o amanhã…
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Maior. Comment. Ever.