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Marcha da Maconha, Marcha das Vadias, Porto Alegre é na minha visão uma das cidades em que mais pessoas se revoltam e decidem gritar pelos seus direitos, e por aquilo que acha certo. Não acho que vá se resolver tudo por aqui, porque a ciclovia é uma lenda, o metrô em POA é uma farsa, e somos premiados com perimetrais que não tem nenhum sentido, mas em compensação, tem mil sinaleiras. Como se pode ver, a reflexão aqui é: quando depende de pessoas, a coisa anda. Quando depende de encarar de verdade o governo, as pessoas despilham, vira-se as costas e dá-se de ombros. Lembro que desde pequena eu vejo os cartazes dos punks para que votemos nulo. Lembro das paredes pichadas “RBS mente”, o “governo tortura”, esse ou aquele partido, aqui ou naquele outro bairro.
O fato é que ninguém decidiu ainda levar as consequências além. Muita gente de coração bom se gasta colocando os peitos pra fora, ou segurando uma bandeira da Jamaica (?), ou pintando bandeira partidária. Essas sim, as pessoas que deveriam estar lá, ocupando alguma decisão. Mas e aí ser político vira um dragão, do tipo “se eu me candidatar, todos vão me chamar disso, daquilo, vou me vender ao sistema”. Paraí, né?
Eu sou presidente de mesa há anos nas eleições em Porto Alegre, e me cai a cara de ver toda aquela papelada que tenho que colar no lado de fora da sala com um milhão de nomes de candidatos conhecidamente corruptos. E no final, como só o nome deles é conhecido, o pinta acaba votando pra não votar em quem não conhece. Veja lá a Nega Diaba ou o Lobisomem, que mais são piada do que política real.
Brasileiro reclama, mas na hora do programa eleitoral, desliga a TV, na hora da Voz do Brasil, desliga o rádio. Espera pra que os outros decidam quem vai bater na cara dele, por ele. Assim não dá trabalho.
Mas aí o Brasil é um país de todos, né não?
Espero ansiosamente quando essa gente que sabe discernir o limiar (quase invisível) entre o preto e o branco, o bom e o mau, que na maioria das vezes parece impossível – tamanhas possibilidades de uso das palavras e da sua força que se conhece – se permitam governar.
Meu voto será teu.