O ontem, o hoje e o sempre nunca estiveram tão próximos quanto estão. Na minha mente, o ontem se fez, mas não me deixou. O hoje me ilustra as mescladas imagens de um passado remoto, e usa as cores daquilo que julgo ser um futuro cansado, exausto de ser planejado, e pronto para ser engolido.
Não que eu não creia no tempo, pois é o pai de todas as coisas. Deixa o que quer, leva o que precisa, ou leva simplesmente por levar. O tempo sim, sabe do futuro, e estou certa de que ri da cara daquele que monta um caminho cego, com pedras do passado, com vertentes de tudo que passa na frente. O desejo de ter e ser sem o desejo de apenas viver.
E se desejo é um canal de energia potável, que se aponta para o futuro e se deposita cada ficha de todos os valores, onde fica a cegueira que nos impede de prever, onde fica o inexplicável caminho que se percorre na vida, sem saber por que trilhas vão caminhar?
Se o desejo é cego, o motivo da cegueira é o passado, e o presente se torna incredulamente dispensável, porque se é pra ser, que seja no futuro.
O hoje foge pelos dedos como água que corre em um rio. Nos perdemos entre tantas pedras, viemos de onde todos vêm, e esperamos todos pelos corais do mar. Bravo o que consegue pintar os corais da cor que desejar.
Tenho medo desse tempo que passa, apressa e atropela. Tenho medo de não me conter, fazer demais e ver pouco resultado. A gente sempre pretende o melhor e se depara com a surpresa.
Gostei daqui. E voltarei. Abraços.