Lock your chains

E daí que aquela guria que dizia que jamais iria casar, que iria morar sozinha num apartamento cheio de livros e gatos, e que não ia ligar para o vidro sujo. Ela, aquela guria que se orgulhava de chutar o traseiro do amor, e ignorar que o tempo só estava me levando pro mesmo caminho, só que mais devagar.
Aquela guria que, neste mesmo blog, já reclamou, já xingou, já apedrejou, sim, aquela mesma guria que preferia guardar o coração na última gaveta:

“Cinema é muito bom, eu gosto bastante, mas não de filmes com final feliz.
Aliás, final feliz é algo que eu acho um saco.
Até parece que o cara vai sair dali e tropeçar na alma gêmea, se desencontrar e depois encontra, casa e faz uma festa com muita champagne. ATÉ PARECE!!!
Eu defino o amor como uma coisa imbecil. “Aboba” o cara. A gente fica esquecido, estranho, quieto, pensativo, e, claro, todo apaixonado se mete à poeta, compositor, dedica música na rádio, manda tele-mensagem, dá chocolate e mais chocolate de presente (imagina, a criatura passa o ano tentando emagrecer e um pulha babão te joga calorias e mais calorias no colo!!!)…
Eu sou uma espécime diferente. Não me dê flores, se for plantada, em vaso, ainda vai, porque estão vivas… mas em buquê, elas estão mortas, as coitadas!!! Deprimente flor murcha não acham?!?
Tele mensagem então, me avise antes, pra eu fugir pra Rondônia, Pedrinhas do Norte, qualquer lugar longérrimo, de preferência com chão de terra batida.
Quer me agradar? Músicas!!! Me presenteie com uma tatuagem! Me dê um livro velho, ou a camiseta mais estranha que encontrar em loja barata! Me dê um vinil do Rosa Tatooada, ou um CDR com uma coletânea de todas as músicas que usam guitarras plugadas (lembra que no Gugu o Polegar tocava com tudo desligado?? Weireless?????).
Fácil me agradar.
Mas eu não gosto de amor, então não escreva na capa do disco, ou do CD, e nem na capa do livro, se eu gostar do presente não vou esquecer que ganhei de você.” 

E daí, eu fui lá, e casei. E digo mais: acreditando que realmente pode dar certo. E que VAI dar certo. Sorte pra mim, sorte pra todos nós, seres feitos de mentira e bobagens, que ainda acreditam que “vai ficar tudo bem”. Segue o baile, gaitero!