Sério, eu adoro Natal, até porque lá na casa do vô, em Dom Pedrito, todo mundo se junta naquele gritedo característico da família Bruzza, na volta da árvore, uns querem ver o show do Roberto, outros querem o rímel emprestado, e outros só tão pela hora da ceia, mas né…
Fruta cristalizada em TUDO, precisa?
Gente, arroz é pra ser ARROZ, quem inventou esse arroz à grega devia ter mantido na Grécia essa porcaria.
Daí no Panetone, toma, frutas cristalizadas.
Daí na salada, toma, frutas cristalizadas.
Peru? Além do abacaxi (de onde tiraram isso!?), toma, frutas cristalizadas.
Gente, sério, assim não tem como.
Mesmo que tenha mais coisa pra comer, como salgadinhos de origem duvidosa e toneladas de canudinhos (que sinceramente, são meus preferidos), tudo tem fruta cristalizada. Isso TEM que ter fim.
Aqui, meu manifesto por um Natal com menos frutas cristalizadas.
E aqui, sinceramente, é um dos poucos lugares que mesmo com todas as mudanças tecnológicas da vida, Google+, iPods e iPads, vida social, sorrir querendo gritar, e-mails, inglês, indianos, tweets, Likes e tal… não influenciam. Aqui, ainda na rua sem asfalto, se faz um buraco aqui e ali pra não levantar terra quando (lá de vez em quando) decide passar um apressadinho. O sobrado sem grades por todos os lados, a porta aberta sem chave, até o último dos últimos Bruzzas decidirem dormir de vez. Entra e sai, gente que não tá aqui na dinda, tá na vó, ou na outra tia que mora ali adiante, na mesma quadra. Ou senão, foi no armazém do Vicente.
Mas já volta.
Aqui na sala grande tem uma grande lareira, uma TV sem cabo, uma lata enorme de erva fresca pra o mate, e linguiças feitas a mão pra acompanhar o pão de casa e o café da tarde.
Cachorro aqui tem passe livre, afinal todos tem direito de aproveitar o quentinho da lenha que vem lá dos fundos do enorme pátio pra virar calor.
Os livros do meu avô, todos aqui na mesma estante, empoeirados pela vida e pela saudade, amarelados pelo ar seco e o descaso dos que passam e voltam, sempre apressados em buscar farinha, leite, ovo, ou que traz um filme novo que “recém saiu onde tem cinemas” pra todo mundo sentar e ver.
Porque aqui não tem shopping, não tem cinema, não tem McDonalds.
Mas tem a voz das tias mais sábias, as risadas exageradas de quem precisa mais de juízo que de cisos, o cheiro da minha avó, e todas as boas memórias de muitas férias e anos que passei aqui. Tudo em cores, como no dia em que meu avô tirou a enorme televisão de caixa de madeira de mogno preta e branca do principal palco da sala, e no lugar dela colocou uma colorida, que inclusive foi motivo de muita gente vindo visitar.
Até hoje não é uma sala. É “A sala da Televisão”.
Assim como de onde estou escrevendo é a “Sala do Piano”, mesmo que o piano já não esteja aqui há anos…
O bom é que os mesmos azulejos (vermelejos, como uma vez minha prima disse, já que são vermelhos, e não azuis), os mesmos detalhes no teto que meu vô fez caprichosamente à mão, as velhas escadas rangindo no movimento de quem vai e volta do andar de cima, o silêncio surdo que balança com as mãos o sono de quem cansa, ou que amarga as noites de quem insona lembranças bobas… tudo. Tudo está aqui.
Claro que falta a voz grossa do vô, quando chamava um de nós pra ajudar a segurar um pedaço enorme de madeira pra serra, ou pedia pra vó ajeitar o café com leite dele… Falta o cheiro da serragem que era nosso principal divertimento, pilhas e pilhas de madeiras cruas, e claro, felpas em dedos e pés que corriam descalços pela rua de pedrinhas.
Saudade tua, meu velho avô.
Mas como tudo que faz parte da alma faz bem, eu tenho dentro de mim o maior de todos os remédios :)
Férias, férias, férias, marcadas pra quarta-feira que vem. Só dez dias, mas vão ser dez dias importantíssimos pra minha sanidade mental. Cansei, caralho, CANSEI nessas últimas semanas.
Aí seguinte, ontem joguei na Mega Sena, Loto Mania, Dupla Sena, e quem sabe de um lado ou de outro eu tenha um pedaço de sorte que me olhe bem de canto, e que me dê um auxílio (ou uns mil pilas) pra eu pelo menos conseguir melhorar meu humor.
Aliás, anda ácido como há muito não andava… E com motivos contundentes, e sinceramente? Com toda a razão.
Ando cansada de acreditar, esperar, querer, desquerer, pedir, implorar, fazer tudo sozinha, mudar, mudar de novo, planejar, executar, medir, mensurar, e todos os outros verbos que acabo esquecendo, já que minha cabeça voa longe, muito mais longe do que eu alcanço.
Quantas vezes eu me vejo no espelho de manhã e bato boca com minhas olheiras, a cara de cansaço e a vontade de desistir de tudo?
Passar o dia dormindo, dormir durante anos, só precisar de pouca coisa, espalhar meus livros na cabeceira da cama e xícaras e mais xícaras de chá formando coloridos colchões de fungos no fundo.
Daí durante um minuto eu decido desistir, largar tudo, largar a vida de trabalhar, viver da renda que me é de direito, abraçar o INSS, sorrir pra o meu travesseiro e enfiar a cabeça tão fundo que eu não escute nem meus pensamentos.
E no momento seguinte, penso no quanto eu seria covarde, em como eu desperdiçaria meu talento, em como eu ia olhar de novo pro meu filho e explicar que não, não temos como fazer a recarga no cartão da Megazone.
E aí se eu desistisse de tudo, eu desistiria do meu apartamento, do meu carro, das minhas viagens e aventuras de mãe e filho, das bobagens que eu planejo e de tudo que eu ainda quero fazer na minha vida.
Complicado.
Muito complicado.
Quando eu me perco assim entre querer e não querer acabo perdendo mais tempo do que seria necessário e útil pra que eu tome decisões acertadas e coerentes. Daí, como tu já deve ter suposto, acabo metendo os pés pelas mãos e fazendo tudo atravessado.
Bom, mas então, férias, finalmente, e quem sabe assim eu consigo voltar ao meu estado normal.
Por enquanto o que tem rolado é…
WAR! Vou passar a receita de quentão mais sucesso do mundo no próximo post! Aguardem!
Bons momentos, outros nem tão bons, e alguns outros ótimos momentos!
Frio. Amo.
Great moments!
Funny moments :)
E o Igor se divertindo como sempre, divertindo a minha vida :)