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Domingo?

Uma MERDA de dia. Se pá, pior que segunda-feira. E olha que segunda-feira é FODA.
Mas esse domingo não devia ter sido assim… Não esse, pelo menos. Mas né? Por que as coisas dariam certo se elas podem dar errado?
Nada de produtivo, cabeça fervendo, uma semana que promete ser cheia, TPM chegando. Pra que mais?
A minha sorte é que todos os meus dias, impreterivelmente, começam com o pé direito.
Pronto, piada pronta de humor negro contra minha própria pessoa num domingo.

Bromazepan?
Yes, please.
And nothing else matters.

Dream On

Esses dias foi o aniversário da Juu, amigota aqui da Dell, e reunimos uma galera pra fazer um som pra ela, que adora Aerosmith…
E sabe quando tu fica tão feliz com a tua própria vida que chega a dar até nojinho do próprio “mimimi“? :)
Sei lá, só sei que ando BEM feliz :D

Aniver da Juu!

by: Cris Stanza

 

 

Honey Pie I

Ainda não consegui decidir se acho melhor aprender num relacionamento difícil, ou aprender num relacionamento fácil, fácil demais. Uns dizem que o que é difícil ensina mais, por ser justamente um desafio a cada dia, mas sinceramente? Não acho que eu concorde no momento com isso.
Considerando que o meu namoro “à jato” não é muito peculiar, estou bem satisfeita com a calma com que as coisas, mesmo aos atropelos, acontecem sem nenhum atrito. É de se desconfiar que a felicidade estava tão “ali” e eu, como nunca fiz, ao invés de nem olhar pra ela e ainda virar a cara, consegui encontrar um equilíbrio.
É impressionante como tudo tem se encaixado, dado certo, e o tempo passou a ser mero coadjuvante (quase que completamente ignorado). Antes o tempo era “Ok, o tempo vai passar e as coisas vão ficar bem”. Hoje, eu quero que o tempo não passe. Ou sei lá, que passe, sinceramente não faz diferença.
O fato é que a tranquilidade do meu relacionamento me apavora. Claro, positivamente, como eu não sou louca nem nada de achar algo realmente bom, ruim.
Parece que já estava tudo lá, pronto, e de repente, a porta se abriu. Como se eu quisesse fazer um prato muito difícil, cheio de especiarias impossíveis de achar (saca, tipo cardamomo?), e chegasse na minha cozinha com tudo em cada potinho, medido pra ser um sucesso.
Claro que tu estás aí pensando que é “mimimi”, mas não é.
E vou te dizer: não é fácil, porque eu me questiono a cada minuto se isso está mesmo acontecendo, e se isso é normal, e se isso acontece com as outras pessoas, e se é por isso que as pessoas ficam anos e anos juntas, perdendo os dentes, mas não a cumplicidade.
Se é normal, que bonito, fico feliz de saber que o meu improvável pote achou sua improvável tampa, que o meu pé torto merece um chinelo confortável, ou que minha laranja tem metade sim, não virou suco.
Só sei que tá bem bom, divertido, feliz, interessante e um pouco de egoísmo à parte, tranquilo.
Prefiro não largar a máxima “acho que finalmente encontrei“, porque eu quase não procurei.
Tava lá. Eu juro. E esse é o grande lance da história.

And I said YES.

O tempo vai passando e aí a gente nem se liga mais no que tá fazendo, de tão acostumado que se está com o que se “aceita” acontecer. E lá se vai um dia, dois, meses, anos, e lá no fim das contas tu nem sabe mais a razão de ter feito assim. “Porque eu fiz assim a vida inteira“.
E eu fiz a vida inteira de pensar antes de fazer.
Pensar antes de falar não é bem um método que eu diria “meu”, mas tomar decisões é algo que me chama pro canto numa conversa mais racional.
Nem sempre, claro.
Não hoje, eu diria.
O resumo da ópera é que pelas poucas vezes que eu fechei os olhos por um segundo e ao invés do prudente “não”, joguei pro ar um “sim” cheio de coragem (e cagaço), não tenho nenhum receio ou medo.
Nenhuma certeza também, mas e quem é que tem certeza de alguma coisa?!
Pessoas fingem bem.
E eu desisti de fingir.
Abre a gaita, gaitero!

True Story

Eu não costumo falar muito sobre meus pensamentos mais pessoais e menos inspiradores… Porque as pessoas são críticas só pra serem divertidas, desconhecem o assunto mas mesmo assim dão opiniões, fúteis, ordinárias, cretinas. E é difícil encontrar quem realmente pare pra pensar, se é que já não pensou, fora da sua própria cabeça.
Mas indo de encontro à tudo isso e todas essas verdades que eu mesma construí ao longo do tempo, resolvi me expor, porque eu tenho quase certeza absoluta de que isso um dia ainda vai ajudar alguém.
E tomara, sério, tomara que seja tu. Eu queria muito que fosse.
Eu fui uma criança daquelas pestes, subi em árvore, tomei banho de lagoa, andei a cavalo, fui mordida por cachorro, mordi cachorro (sério), mas nunca quebrei um braço, nem um dedo. Nada. Ao menos, não meus.
Fui crescendo e decidi jogar futebol, joguei no Grêmio, no Inter (eu sei tudo isso que tu pensou agora, mas valia a pena), e meu gosto por jogo de taco na infância virou numa paixão por disputar. Escolhi o futebol, comprei minhas chuteiras, treinei, treinei, treinei, e virei depois de anos uma jogadora que muito me orgulha, fiz golaços e driblei melhor que muito marmanjo.
Essa era minha paixão.
Depois de um tempo, comecei a trabalhar, aquela coisa toda, o tempo passa, e me interessei por o que não me interessava muito: usar saia, pintar as unhas, namorar, mas nunca deixei de disputar uma partida sempre que dava.
Anos depois, em 2003, eu fui atropelada por uma moto, na frente da minha casa, ali na avenida Nonoai em Porto Alegre.
Morri por alguns minutos, tive que amputar a perna esquerda acima do joelho, a direita passou por 8 cirurgias para que pudesse ser recuperada.
Eu tomei tanta medicação durante esse tempo que eu lembro de poucos acontecimentos. Amigos me contam que foram me visitar no hospital, e que eu estava alegre, mas eu não lembro disso. Não sei se por conta da tonelada de morfina, ou pela memória que se apagou (depois do acontecido minha memória piorou consideravelmente), ou se pelo bloqueio do choque, o fato é que a minha memória mais vívida, trincada na minha retina, é a do teto do meu quarto.
Por esse motivo, eu considero que o tempo em que tive pra pensar em todas as coisas desse mundo foi suficiente pra me tornar o que eu sou hoje.
Num minuto, hiperativa, trabalhadora, cheia de amigos, namorado, festas.
No outro, imóvel, sozinha, diferente, dor, e desculpe a palavra estupidamente verdadeira: mutilada.
Por dentro, e por fora.
Essa era a minha realidade.
Aos poucos as coisas foram mudando, foram acontecendo coisas novas, e hoje eu olho pra trás com um sentimento bobo de “eu fiz”. E é aí que eu quero que tu pare comigo pra pensar.
Se eu decidisse (o que na verdade é a maior vontade que se tem) ficar sentada no meu sofá, recebendo auxílio do INSS, esperando a piedade eterna das pessoas e aceitando que jamais seria mulher novamente, eu teria morrido.
Vou te dizer: não é fácil. Mesmo. De verdade. É FODA, eu diria.
Mas se tu não levantar daí e valorizar tudo o que tu tem e tudo aquilo que tu pode ter, mesmo que tu não saiba o que é, nada vai acontecer.
Me orgulho de ter aguentado as noites de dor, de ter enfrentado os pesadelos noites e noites a fio, de ter segurado o choro quando o meu quarto parecia me espremer entre as paredes, de ter parecido forte pra não magoar aqueles me rodeavam, porque se eu deixasse a peteca cair… todos caíam junto.
Conselho amigo: aproveite TUDO que te rodeia. Quem te ama, quem faz diferença, as tuas coisas, e principalmente: as tuas ideias.
Lembro que uma vez, quando ainda estava em recuperação, caminhava na barra, acompanhada da minha fisioterapeuta, com uma dificuldade enorme de ficar de pé mais que vinte segundos… E eu pensei “um dia eu ainda vou fazer muito mais que isso”.
E eu fiz.
Esse era meu combustível.
Empunhei coragem, cara-dura, atitude, tudo o que eu achava que tinha perdido. Vaidade, narcisismo, esperança. Tudo. E fui à luta.
Nessa caminhada até aqui eu tive muitas pernas caminhando comigo, muitos braços me apoiando, e muitos corações torcendo por mim, mas eu finalmente posso dizer que eu fiz a diferença.
Eu saio, eu bebo, eu danço, eu falo, eu rio, eu canto, eu desafino, eu não me importo, eu me importo demais, eu ajudo, eu atrapalho, eu pago, eu compro, eu devo, EU VIVO.
A velha história de fazer do limão a capirinha, sabe?
Saber que um sonho virou um projeto, e dali eu consegui mobilizar pessoas, e aumentar em 250% a contratação de pessoas com deficiência em dois anos na minha empresa… sabe?! Eu realmente fico abestalhada… saber que eu posso conscientizar, reclamar, mudar e ser mudada, isso é tão mágico. E é real.
Uma coisa é certa: nada disso se faz sozinho. Eu contei com pessoas, que contaram comigo, e daí surgiram mais e mais amizades muito além daquelas que eu tinha antes, lá no início, e aí a mobilização virou realidade.
Mas cair, levantar, e rir de tudo o que na verdade poderia ter sido triste é parte importante demais na recuperação.
Faça isso. Tente. Levante. FAÇA.
Pra mim não existe: “não sei se consigo”. E eu tenho tanta coisa ainda pra fazer!
E isso faz de mim o que eu sou hoje.