A criança é o ser mais dependente do mundo. Na natureza, alguns filhotes (e digo que alguns até por próprio instinto) se distanciam de suas mães e sobrevivem no seu meio. Mas não o filhote do ser humano. Este é completamente inofensivo, depende da mãe para comer, beber, se manter limpo, crescer e aprender como falar, como se expressar, como viver em sociedade.
Como uma mente infantil é rodeada de fantasias, e tudo ao seu redor é grande e rápido demais, é de suma necessidade que se crie a imagem do herói para a criança, por um simples motivo: a vida é complicada demais, difícil demais. Entender as reações dos adultos e das coisas ao redor, e fazer conexões lógicas não é algo que a mente infantil possa tomar conta. Mas saber o que é bom ou ruim, e construir sua vivacidade intelectual, personalidade diferenciada, isso sim, é possível.
O super-herói está na margem entre o humano e o fantasioso, então dá abertura ao pequeno entender que é possível sim estar do lado da justiça, do bem, do certo, e assim estar alinhado e direcionado ao melhor da humanidade. Os heróis passam a ser um modelo de comportamento. Quem não quer, além de ser forte e poder voar, salvar uma vida, ou devolver um gatinho à sua família? É o mesmo sentimento de valorização, prazer, e claro, se sentir significativo no meio onde vive. Uma criança geralmente não tem voz ativa nas escolhas, e vive de maneira regrada e impositiva. De algum modo ela precisa se sobressair, e o herói é uma figura fraternal que o induz ao bom pensamento e ao sentimento do dever cumprido.
Quando elogiada, a criança inconscientemente aduba sua personalidade para tentar ir além, fazer mais por aqueles que a rodeiam. Fazer a diferença, seja juntando os seus próprios brinquedos e colocando os livros na estante, seja dando a mão para ajudar um amigo a subir no escorregador. Pequenos gestos de humanidade servem de exemplo para sempre.
Perguntei pro meu filho Igor, de sete anos, o que era um super-herói. A resposta dele foi: “Uma pessoa que ajuda outras pessoas, e tem poderes.”. O fato de ele entender os poderes como algo sobre-humano não ultrapassa o real sentido do herói: uma pessoa que ajuda outras pessoas. E ele pode ser assim também, e tem ciência disso.
Desta forma ele entende, claro que com suas preferências, que homens e mulheres, meninos e meninas, de todos os lugares e descendências podem ser heróis dentro da sua casa, da sua comunidade, da sua escola. O fato de que a proteção ao mais fraco é ponto explorado em todas as ações dos heróis faz com que ele entenda inclusive que o bullying é errado, e fazer de tudo para evitar que isso aconteça com os demais.
Deixar seu filho ser um herói é deixá-lo combater as diferenças, salvar o planeta, ajudar os amigos e acima de tudo, defendê-lo e amar incondicionalmente. Alimente o herói que cresce a cada dia, e alimente o SEU herói, que mora dentro de você. Tenha consciência de que é assim que o seu filho vê: a mãe e o pai são maiores em tamanho, e trazem diversão, o alimentam, o amam, e protegem. Você já é o herói. Agora deixe que eles sejam os seus.