De tempos em tempos eu procuro algo que me remeta a quem eu era na minha melhor forma psicossocial.
Durante muito tempo acreditei que eu era suficiente pra mim. E assim eu almoçava sozinha, fones no ouvido, bem alto, pra não escutar nem um “olá, posso sentar contigo?“. E assim eu era feliz. E eu era segura, dentro de um mundo criado exatamente como eu queria, pra eu mesma amar e morar, e cuidar.
Nada de amigos. Quem sabia de mim era eu, e a única opinião relevante era a minha. E foda-se o resto.
Eu tinha eu, minhas linhas de costura, meus tecidos, minha canga, e meu iPod.
Dar abertura pra que as pessoas entrem na tua vida é de uma coragem inominável. E eu me acho corajosa por ter me dado o direito de tentar fazer o que a maioria das pessoas faz: deixar as pessoas esculhambarem toda a tua existência com opiniões, com intromissões, com palavras fora de lugar e ações que não fazem sentido.
Quando eu me bastava, nada me atingia. Só os meus problemas eram meus.
Agora, além do meu mundo, tenho universos paralelos com a qual eu não sei lidar, sentimentos com o qual eu não gostaria de conviver. E é duo. O bom, o ruim, o divertido e o frustrante.
Exercício diário de paciência, liberdade da minha própria opinião, onde colocar o copo, como liberar as minhas linhas de pensamento.
Lendo sobre Liderança, não se faz um líder sozinho. O importante não são objetivos pessoais. São o que faz o teu time e as pessoas a tua volta serem alavancadas.
Durante muito tempo, a minha vida profissional foi: Liga o player. Entra no ônibus, caminha até tua mesa, liga o teu monitor. Troca os fones pro fone do computador. Troca os fones pro player. Almoça, senta embaixo de uma árvore. Caminha pra mesa. Troca os fones. E assim uma sucessão de trocas, movida a música, no meu plano de felicidade. Isso bastava, mas e depois?
Ainda penso sobre o que eu realmente quero pra mim. Claro. Estaria morta se não pensasse.
Passei por essa troca de paradigmas silenciosamente, uma ou outra palavra com quem eu confio, ou pelo menos finjo que confio, uma que outra palavra aqui no blog… já fui de tantas palavras e textos, e agora… Não sei se me sobram, ou se me faltam.
O fato é que eu sigo entre mutações, vendo com o olho da alma aquilo que não consigo ver de fato, aceitando a apatia, a simpatia, a empatia e os epitáfios de todas as cores novas que moram na minha paleta.