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the battle of evermore

Não tenho tido muita inspiração. Antes eu abria um notepad e PLAFT, BLOFT, BLACT, saíam e pulavam ideias e mais ideias, opiniões e mais opiniões. E eu sigo aqui, no mesmo lugar, sentada no mesmo raio de 200 ou 300m de onde eu sentava há 6 anos atrás, de onde as ideias surgiam e me engoliam, desciam pelos meus braços, escorregavam pelos dedos e ferozmente COMIAM o teclado.
E aí agora, fico alguns minutos quieta, olhando pro nada, como se já nada mais precisasse ser dito, ou gritado.
Talvez isso seja um reflexo da minha falta de tempo, onde cada segundo em que eu posso realmente pensar em nada, eu penso… Ou se é um “lack of communications” entre minha mente e meu coração, e é aí que eu me assusto um pouco.
Será que eu me acomodei?
Será que eu perdi o controle da minha própria loucura?
Será que meu balão de gás hélio terminou e a diversão que minha voz causava em símbolos já não tem graça nenhuma?
Porra, eu caio nessas viagens, sim.
Já fui contra o amor, já fui a favor do amor, me rendi, abracei, deixei ir, deixei voltar, mas não me dou mais ao luxo de me preocupar em fazer de uma relação algo prejudicial. Não vale a pena. Mas será que não mesmo? Ou foi o fio tensor entre minha mente e o meu coração que foi cortado?
Perguntas e mais perguntas, é só isso que tem nesse texto, porque eu ainda leio os mesmos tipos de livros, ouço o mesmo tipo de músicas, vou aos mesmos tipos de lugares, e mesmo assim, não tenho mais a mesma coceirinha nos dedos, aquela vontade absurda de dizer e só dizer.
Tenho dado valor aos meus minutos sozinha, tenho dado valor a pessoas diferentes, tenho dado menos valor ao que eu acho que merece menos, e mais valor ao que merece mais.
Não parece estar saindo nada como planejado, mesmo que não haja nenhum planejamento… Tipo uma música só nas linhas da pauta, sem uma leitura nem mental do ritmo ou da sonoridade.
Vou esperando mergulhada no silêncio, na esperança de que volte de mim o pouco que deixei dormir.

das coisas do meu coração

E aqui, sinceramente, é um dos poucos lugares que mesmo com todas as mudanças tecnológicas da vida, Google+, iPods e iPads, vida social, sorrir querendo gritar, e-mails, inglês, indianos, tweets, Likes e tal… não influenciam. Aqui, ainda na rua sem asfalto, se faz um buraco aqui e ali pra não levantar terra quando (lá de vez em quando) decide passar um apressadinho. O sobrado sem grades por todos os lados, a porta aberta sem chave, até o último dos últimos Bruzzas decidirem dormir de vez. Entra e sai, gente que não tá aqui na dinda, tá na vó, ou na outra tia que mora ali adiante, na mesma quadra. Ou senão, foi no armazém do Vicente.
Mas já volta.
Aqui na sala grande tem uma grande lareira, uma TV sem cabo, uma lata enorme de erva fresca pra o mate, e linguiças feitas a mão pra acompanhar o pão de casa e o café da tarde.
Cachorro aqui tem passe livre, afinal todos tem direito de aproveitar o quentinho da lenha que vem lá dos fundos do enorme pátio pra virar calor.
Os livros do meu avô, todos aqui na mesma estante, empoeirados pela vida e pela saudade, amarelados pelo ar seco e o descaso dos que passam e voltam, sempre apressados em buscar farinha, leite, ovo, ou que traz um filme novo que “recém saiu onde tem cinemas” pra todo mundo sentar e ver.
Porque aqui não tem shopping, não tem cinema, não tem McDonalds.
Mas tem a voz das tias mais sábias, as risadas exageradas de quem precisa mais de juízo que de cisos, o cheiro da minha avó, e todas as boas memórias de muitas férias e anos que passei aqui. Tudo em cores, como no dia em que meu avô tirou a enorme televisão de caixa de madeira de mogno preta e branca do principal palco da sala, e no lugar dela colocou uma colorida, que inclusive foi motivo de muita gente vindo visitar.
Até hoje não é uma sala. É “A sala da Televisão”.
Assim como de onde estou escrevendo é a “Sala do Piano”, mesmo que o piano já não esteja aqui há anos…
O bom é que os mesmos azulejos (vermelejos, como uma vez minha prima disse, já que são vermelhos, e não azuis), os mesmos detalhes no teto que meu vô fez caprichosamente à mão, as velhas escadas rangindo no movimento de quem vai e volta do andar de cima, o silêncio surdo que balança com as mãos o sono de quem cansa, ou que amarga as noites de quem insona lembranças bobas… tudo. Tudo está aqui.
Claro que falta a voz grossa do vô, quando chamava um de nós pra ajudar a segurar um pedaço enorme de madeira pra serra, ou pedia pra vó ajeitar o café com leite dele… Falta o cheiro da serragem que era nosso principal divertimento, pilhas e pilhas de madeiras cruas, e claro, felpas em dedos e pés que corriam descalços pela rua de pedrinhas.
Saudade tua, meu velho avô.
Mas como tudo que faz parte da alma faz bem, eu tenho dentro de mim o maior de todos os remédios :)

Estante

Azulejos

i’m coming home

Times have changed and times are strange
Here I come, but I ain’t the same
Mama, I’m coming home
Times gone by seems to be
You could have been a better friend to me
Mama, I’m coming home

You took me in and you drove me out
Yeah, you had me hypnotized
Lost and found and turned around
By the fire in your eyes

You made me cry, you told me lies
But I can’t stand to say goodbye
Mama, I’m coming home
I could be right, I could be wrong
Hurts so bad, it’s been so long
Mama, I’m coming home

Selfish love yeah we’re both alone
The ride before the fall
But I’m gonna take this heart of stone
I just got to have it all

I’ve seen your face a hundred times
Everyday we’ve been apart
I don’t care about the sunshine, yeah
‘Cause Mama, Mama, I’m coming home
I’m coming home

You took me in and you drove me out
Yeah, you had me hypnotized
Lost and found and turned around
By the fire in your eyes

I’ve seen your face a thousand times
Everyday we’ve been apart
I don’t care about the sunshine, yeah
‘Cause Mama, Mama, I’m coming home
I’m coming home

run, drika, run!

Em um café de Porto Alegre, esperando o DOJO de Costura no sábado passado (que foi um sucesso infinito), procurei no revisteiro uma publicação que me fizesse  passar o tempo longe das vitrines, já que março é aquele mês que nunca acaba.
Dentre umas quantas revistas coloridas, com mulheres magérrimas e de biquíni na capa (tipo aquelas chamadas “A barriga de taquinho da Fulana“, ou a “Dieta do Ovo“), eis que dou de cara com a Cláudia Abreu numa P&B, linda e sorridente, vestida, com a mesma cara que ela tinha há 15 anos atrás. Já não é comum achar uma revista que não seja o exagero em papel couché, e a Claudinha batendo nos 40 é uma coisa que eu queria conferir.
Daí, olhei o nome da revista: LOLA. Imediatamente puxei, sentei, pedi meu café, e durante 1h44min engoli aquela edição como quem nunca tinha lido uma revista feminina na vida. Depois?
Levantei, paguei meu expresso duplo e fui direto pra uma revistaria comprar a última edição. Eu andava procurando muito esse tipo de informação que a LOLA traz.
Só o nome já é uma coisa “vintage“, meio estereotipada por nome de tia-avó e um tanto de esquizofrenia, pra quem já viu “Corra, Lola, Corra“.
Saca essas outras revistas? Cláudia, Fulana, a Beltrana, etc? NADA A VER.
É um conjunto que reúne de Brigitte Bardot à lista das 10 mulheres mais bem sucedidas nos negócios, gadgets, viagem, nerdice, dilemas, frufrus, tudo junto e ainda bem distribuídos em ediçoes grandes e bem formuladas. Egocêntrico na medida, tipografia de bom gosto, legibilidade e bem, resumindo, uma leitura das que eu, Drika, admiro e buscava há tempos.
Atualidades, sabe, coisa de menina? Pois é.
Vivo mergulhada em Gabriel García Márquez, Senhor dos Anéis e Michael Crichton… Preciso de uma opu outra bobagem na vida.
Acabei de ler 100 Anos de Solidão no sábado em que voltei de férias, então poxa, não preciso de outro soco no cérebro tão cedo :)
Enfim, boa surpresa na publicação da Abril!

about priority

“Getting in touch with your true self must be your first priority.”

Tom Hopkins